Dumb ways to die

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Como Esculpir em Cimento ou Concreto, ou em Farinha

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Geralmente você não esculpe em cimento ou concreto, e sim faz um processo que chamamos de MOLDE PERDIDO: 

Você produz uma peça em argila e tira um molde de gesso (este molde é em algumas partes, pelo menos duas), é o que chamamos molde perdido (argila e gesso trabalham bem juntos), pois provavelmente você não se preocupará que tudo no molde tenha “saída”, então conforme você tira o original (seu modelo) do molde, a argila vai quebrando. Eu gosto de fazer este molde antes da argila secar totalmente.
Depois você limpa o molde, fecha ele e enche de cimento (cimento e gesso também trabalham muito bem juntos). A mistura do cimento é mais forte que a utilizada em construção, podendo chegar em até 1 de cimento para 1 de areia. Recomendo utilizar o mínimo de agua possível e bater, vibrar a forma para o cimento acentar.
Depois de seco você quebra o gesso, por isso “molde perdido”
A peça de cimento ainda deverá ter um acabamento, sugiro uma nata de cimento = cimento + cola branca, e por último um verniz, existem vernizes especiais para cimento em lojas de construção.
O resultado, uma escultura com custos muito baixos e uma obra que pode ficar no tempo, como um jardim por exemplo.

post: http://fcardoso.blogspot.com.br/2010/03/como-esculpir-em-cimento-ou-concreto.html

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Susan Haack contra a fé cega na ciência, o cientificismo – Liga Humanista

susan_haackCom um oceano entre nós, a filósofa Susan Haackgentilmente concedeu-me esta entrevista sobre seu artigo “Seis  Sinais de Cientificismo“, queacabamos de publicar em português. Dotada de um currículo extenso e um pensamento claro e rigoroso, a professora inglesa radicada na Universidade de Miami, ex-aluna das universidades de Oxford e de Cambridge, atraiu a atenção de entidades como oCSICOP de Carl Sagan ao defender a ciência em duas frentes: tanto ao colocar em perspectiva que a ciência é uma forma de investigação valiosa e em vários aspectos singular, contra o que dizem os relativistas “cínicos” do pensamento acadêmico que convencionou-se chamar de “pós-modernismo” (como ela faz, por exemplo, no recém-traduzido, pela PUC-Rio, “Manifesto de uma moderada apaixonada“); quanto ao combater o excesso de deferência às ciências conhecido como cientificismo, assunto tratado aqui. A Dra. Haack agora integra o time de membros honoráriosinternacionais da Liga Humanista, junto a Daniel Dennett, Daniel Everett e Maryam Namazie.

LiHS: Você considera o cientificismo uma forma de preconceito, como Hayek o chama em sua citação? Hoje em dia muitas pessoas preocupam-se bastante com preconceitos como racismo, sexismo e homofobia. Se o cientificismo é um preconceito como esses, o que ele tem em comum com eles?

 

SH: Citei Hayek usando a palavra “preconceito” ao descrever o cientificismo para indicar aproximadamente quando o termo “scientism” deixou de significar, simplesmente, “o hábito e modo de expressão de um homem da ciência” e passou a assumir um tom negativo. Mas, entretanto, não uso, eu mesma, a palavra “preconceito” nesse contexto.

 

Por que não? — Porque hoje (ao menos na língua inglesa) um preconceito é quase sempre entendido como um preconceito contra algo; de fato, o dicionário Merriam Webster — um dicionário padrão do inglês americano — define um preconceito como “uma opinião ou tendência adversa formada sem fundamentos justos ou conhecimento suficiente”.[1] Racismo, sexismo e homofobia são, como você diz, muitas vezes considerados preconceitos ou expressões dele — preconceito, isto é, contra este ou aquele grupo ou categoria de pessoas.

Mas enquanto o cientificismo é, seguramente, “uma tendência formada sem fundamentos justos ou conhecimento suficiente”, ele é uma tendência favorável à ciência, não contrária a ela. Então, diferente do sexismo, ou do racismo ou da homofobia, o que é lamentável  sobre o cientificismo não é que ele seja um pré-julgamento contra algo, mas que é um pré-julgamentoa favor de algo. Então, em vez de usar a palavra “preconceito” nesse contexto, eu simplesmente descrevo o cientificismo pelo que ele é: “um tipo de atitude excessivamente entusiástica e acriticamente reverente para com a ciência, uma incapacidade de ver ou falta de vontade de admitir sua falibilidade, suas limitações e seus potenciais perigos”.

 

LiHS: Muitos cientistas repetem para leigos e estudantes que o método científico é a característica distintiva e exclusiva do que é científico; céticos autoproclamados fazem o mesmo. Você diz que uma preocupação com a identificação do “método científico” é um sinal de cientificismo. Se o método científico é um mito, como deveriam as pessoas que querem falar de ciência mas não querem ser, nem soar, cientificistas mudar seus modos?

 

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SH: “Há bastante sensacionalismo sobre o método científico”, escreveu Percy Bridgman em 1949; mas o “método científico diz respeito ao que os cientistas ativos fazem, não ao que outras pessoas ou mesmo os próprios cientistas possam dizer sobre ele”.  E o que cientistas ativos fazem é ocupar-se de detalhes, das especificidades de seu problema, em vez de fazer alvoroço com generalidades. Neste sentido, isso acerta em cheio; mas há muito mais a ser dito.

Ideias confusassobre “o método científico” ainda são ubíquas — na sociedade em geral, no campo jurídico, no papo presunçoso de especialistas em educação científica, e entre céticos no afã de expor a “pseudociência”. E, como nota Bridgman, quando são chamados a refletir sobre isso neste nível, mesmo os próprios cientistas não são imunes a entender mal seu próprio empreendimento. Então, às vezes —especialmente quando ouço cientistas papagaiando slogans popperianos que entendem pela metade sobre a ciência — isso me remete à época (eu deveria ter cerca de 12 anos) quando pedi à minha avó a receita do excelente pudim de pão que ela fez. Ela devidamente forneceu a receita, eu a segui cuidadosamente — e o resultado foi perfeitamente nojento! “O que deu errado?”, perguntei. “Bem, você queria uma receita, então dei-lhe uma”, ela respondeu; “mas eu nunca sigo uma receita, apenas sigo meus instintos, e adiciono mais um ovo se [a massa] parece seca demais, e um pouco mais de pão se parece muito grudenta”.

Quando digo que não há tal coisa de método científico, significa que não há nenhum modo distintivo de passar pela investigação que seja exclusivo das ciências, e que explica como elas atingiram seus sucessos notáveis; mas isso não é, enfaticamente, para negar que essas realizações são reais. Então, o que explica o sucesso das ciências? Os procedimentos subjacentes e os modos de inferência de todas as investigações empíricas sérias, científicas ou não; e o conjunto colossal de ferramentas especiais, físicas e intelectuais, gradualmente desenvolveram-se com o passar dos séculos de trabalho que tornaram possível às ciências estender capacidades humanas nuas e superar algumas de nossas limitações. Nada disso pode ser identificado como “o método científico” como se entende convencionalmente: os primeiros não são usados apenas pelos cientistas e os últimos, sempre evoluindo e geralmente locais, não são usados por todos os cientistas. Mas juntos começam a explicar como as ciências alcançaram tanto êxito.

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Então, meu conselho seria bem parecido com o de Bridgman. Em vez de ceder ao que ele chama de “generalidades reluzentes” sobre o método científico, se queremos entender como as ciências alcançaram um corpo tão vasto e interconectado de teorias bem estabelecidas é melhor perguntarmos como, especificamente, os avanços foram feitos — através de novos métodos de cálculo, novos instrumentos, novos aparatos conceituais, ou … , etc.; e se queremos criticar trabalho pobre em vez de zombá-lo como “pseudociência”, é melhor dizer o que especificamente o faz pobre — um experimento ou estudo epidemiológico mal desenhado ou conduzido sem cuidado, uma falha em considerar as evidências relevantes, a confiança em relatos observacionais não confirmados ou irreproduzíveis, ou … , etc.

LiHS: A resistência à filosofia parece bem comum onde o cientificismo viceja. Recentemente, alguns metafísicos e cosmólogos discutiram de forma barulhenta na mídia quando os últimos alegaram ter resolvido a velha pergunta filosófica “por que há algo em vez de nada?” através da mecânica quântica. Os metafísicos foram muitas vezes acusados de confiar nos “métodos” da filosofia cegamente, como se houvesse um “filosofismo” (análogo ao cientificismo). O que pensa sobre tudo isso?

 

SH: Muitos (talvez a maioria) dos filósofos de hoje continuam a assumir que seu trabalho é puramente conceitual e que pode ser feito inteiramente a priori, ou seja, independente de qualquer experiência — o que temo que seja parcialmente a razão pela qual a filosofia ainda pareça ser um campo no qual nenhum progresso jamais é feito.

É verdade que um novo estilo da assim chamada “filosofia experimental” tem ganhando alguma popularidade recentemente. Não obstante seu caráter “experimental” autoproclamado, entretanto, essa nova moda depende largamente de pesquisas sócio-científicas — nem sempre muito bem concebidas ou bem conduzidas — que pretendem suscitar as intuições linguísticas ou conceituais das pessoas. Por conta de seu foco em nossa língua e nossos conceitos, isso é, ironicamente, ainda bem similar ao estilo a priori de filosofia que [essa abordagem] se propõe a substituir; e ao mesmo tempo, por causa de sua dependência de pesquisas e questionários, é também cientificista.

 A Einstein

Eu penso que a filosofia é (ou deveria ser) sobre o mundo, não apenas sobre nossa língua ou sobre nossos conceitos; e que ela depende da experiência — não, entretanto, da mesma forma que as ciências, do tipo recherché de experiência que requer experimentos sofisticados ou instrumentos complicados etc., mas em vez disso da riqueza de experiências que temos todo dia, tão familiares que nós normalmente não prestamos atenção a elas.[2] Isso é uma das razões pelas quais eu disse em meu artigo [“Seis Sinais de Cientificismo”, LiHS, 2012] que não vejo uma linha definida entre, por exemplo, a cosmologia e a metafísica — em vez  disso, há um continuum de graus de generalidade e abstração; e também em parte por que escrevi em outros lugares que o melhor conselho metodológico para um filósofo é o conselho da Nike:just do it! [Apenas faça!]

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Quanto à disputa específica à qual você se referiu, eu precisaria trabalhar bastante para me sentir no direito a opinar. Mas direi que seria provavelmente sábio começar examinando de perto a questão sobre a qual os físicos e filósofos estão discutindo. Talvez tenha diferentes interpretações: poderíamos encontrar, por exemplo, algumas interpretações nas quais é provável que não esteja bem formulada, outras em que é uma questão teológica, e ainda outras nas quais é um tipo de pergunta à qual os físicos poderiam ser capazes concebivelmente de sugerir uma resposta — como, algumas vezes, questões tradicionalmente consideradas da seara da filosofia transmutaram-se em problemas solucionáveis com trabalho científico altamente teórico.

Mas devemos lembrar também que não é incomum que cientistas excedam-se quando especulam sobre as repercussões mais abstratamente metafísicas de suas teorias; e não é incomum, também — especialmente hoje, quando a filosofia se tornou extraordinariamente hermética e auto-referencial, e sua posição na academia algo marginal, que filósofos fiquem na defensiva sobre o status de sua disciplina.

LiHS: Dra. Haack, é uma honra e um prazer falar contigo; muito obrigado.

SH: Embora eu seja britânica, depois de passar mais de vinte anos da minha vida nos Estados Unidos aprendi a responder como fazem os americanos: “you’re very welcome!”


[1] Itálico meu. A palavra também tem um significado técnico legal, mas não nos diz respeito aqui. SH

[2] Como argumento em “The Legitimacy of Metaphysics: Kant’s Legacy to Peirce, and Peirce’s to Philosophy Today” (2006), reimpresso em Polish Journal of Philosophy, 1.1, 2007: 29-43; tradução em espanhol em Anuario Filosófico, XL.2, 2007: 471-92.

autor: Eli Vieira

post: http://www.bulevoador.com.br/2012/12/susan-haack-contra-o-cientificismo/

collaborateur: Davi DFilho
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HeliTest

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ALTURAS DE MACHU PICHU

Pablo Neruda

No eras tú, muerte grave, ave de plumas férreas,
Não eras tu, morte grave, ave de plumas férreas,
la que el pobre heredero de las habitaciones
a que o pobre herdeiro das casas
llevaba entre alimentos apresurados,
levava entre alimentos apressados,
bajo la piel vacía:
sob a pele vazia:
era algo, un pobre pétalo de cuerda
exterminada:
era algo, uma pobre pétala de corda
exterminada:
un átomo del pecho que no vino al
combate
um átomo de tórax que não veio ao
combate
o el áspero rocío que no cayó en la
frente.
ou o áspero orvalho que não caiu no
rosto.
Era lo que no pudo renacer, un pedazo
Era o que não podia renascer, um pedaço
de la pequeña muerte sin paz ni
territorio:
da pequena morte sem paz nem
território:
un hueso, una campana que morían
um osso, um sino que morriam
en él.
nele.
Yo levanté las vendas del yodo,
Eu levantei as vendas do iodo,
hundí las manos
mergulhei as mãos
en los pobres dolores que mataban
nas pobres dores que matavam 
la muerte,
a morte,
y no encontré en la herida sino una
e só encontrei na ferida uma
racha fría
rajada fria
que entraba por los vagos intersticios
que entrava pelos vagos interstícios
del alma.
da alma.

Tradução: Régis Bonvicino
ruth-thorne-thomson

post: http://regisbonvicino.com.br/catrel.asp?c=3

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TRIBOBÓ LITORAL CITY – Cia de Teatro UFPR Litoral

teatro tribobo litoral city

TEXTO: Maria Clara Machado

ADAPTAÇÃO: Criação Coletiva

DIREÇÃO: Alaor Carvalho

CRIAÇÃO MUSICAL: Rafael Dauer

PREPARAÇÃO VOCAL: Mauro Silva

COREOGRAFIA: Criação Coletiva

SONOPLASTIA: Paulo Ricardo do Rosário de Carvalho e Ana Carolina de Oliveira

ILUMINAÇÃO: Valéria da Silva Gomes

PROGRAMAÇÃO: Paulo Ricardo do Rosário de Carvalho

CRIAÇÃO DE FIGURINO: Soraya Sugayama

CONFECÇÃO DOS FIGURINOS: Noeli Santana

CENÁRIO: Soraya Sugayama

CENOTECNIA: Clariana Bozzo

ADEREÇOS: Jessé Castro Ramos

PRODUÇÃO: Jho Luarte e Lidiane Silveira

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Fotos: LEGeara

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Spectator

Spectator

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Picasso’s Light

Picassos light Picassos light1

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I Stand in Solidarity with Tibet

 

Home

http://standupfortibet.org/

 

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Niemeyer global – por José Guilherme | Zoropa

A morte de Oscar Niemeyer é tratada pela imprensa brasileira sob um ângulo em particular: grande parte dos elogios ao “gênio” vêm do fato de ter contribuído para a glorificação do Brasil no estrangeiro. É verdade que isso ocorreu, ampla e continuadamente. Mas a ênfase posta aí revela as dinâmicas persistentes de um complexo.

O telenoticiário Jornal da Globo, ainda na noite de quinta-feira (5/12), gastou mais da metade do tempo dedicado a Niemeyer mostrando a circulação internacional do arquiteto, recortando obituários e manchetes várias, pinçadas de jornais da Europa e do Mundo. As repercussões de primeira hora homenageavam o demiurgo em diversas línguas. Nada de mais, apenas notícias: “Morre Oscar Niemeyer”, “Oscar Niemeyer morre”. Para a Globo, eram confirmações de alguma coisa.

O crítico de cinema Paulo Emilio Salles Gomes já havia tematizado o problema falando, nos anos de 1960, sobre os “carmas” de um país cuja autovalorização, em geral, exige primeiramente um reconhecimento no exterior e pelo exterior. Na linha do “yes we can” (adotado também por Lula e explorado pelo marketing político do ex-presidente), a Globo valeu-se de um video de Oscar, antigo, no qual o artista dizia algo assim: “isso [meus projetos] é tudo para mostrar que nós também podemos fazer as coisas“. A frase, de evidente acerto e pertinência, caiu como uma luva para os propósitos de William Waack: montar a narrativa de uma personagem heroica, que furou a marginalização internacional da produção artística brasileira e foi aceita como igual por seus colegas europeus e norte-americanos. É a narrativa “padrão global”: a mesma da qual a emissora se valeu para o necrológio de Tom Jobim, há exatos 18 anos. Mas, a essa altura do campeonato, ainda temos dúvida sobre podermos ou não podermos fazer as coisas? Parece que sim. Pois como diria o mestre Hegel, aquele das dialéticas estranhas, onde há muita afirmação, na verdade existe muita incerteza.

Helical staircase by Oscar Niemeyer as part of the Ministry-of-External-Relations in Brasilia por francoiswissA importância de Oscar Niemeyer para a cultura brasileira é muito maior do que servir às conveniências do ufanismo mordaz. Afinal, Niemeyer amou e divulgou o Brasil, largamente, mas foi também um grande crítico das nossas iniquidades cínicas e obtusas. Nessa linha, a Globo mostrou, por exemplo, o período de exílio do arquiteto, seguido ao golpe militar de 1964. Mas o fez com um certo comedimento. Na seleção de alguns trechos de arquivo, exibiu um pequeno fragmento no qual o otimismo marcante do arquiteto frisava os efeitos positivos do seu próprio banimento sobre a intensificação de sua atuação fora do Brasil.

O trecho, que talvez estivesse ali para mostrar o lado bom das coisas ruins, encalacrou a narrativa do telejornal em uma espécie de paradoxo. Para se ter uma ideia da encrenca, basta pensar no caso de outros conterrâneos cuja carreira doméstica foi prejudicada pelo golpe, e cuja circulação internacional foi extremamente favorecida pela necessidade de exilar-se: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Celso Furtado, fernando henrique cardoso e assim por diante. Há muitos outros nomes a serem postos numa lista dessas. À medida que o tempo passa, é cada vez mais retumbante a quantidade de brasileiros brilhantes e inventivos que o regime militar de 64-85 “botou para correr”. Alguns deles, como Niemeyer, foram capazes de refazer suas vidas impulsionados por uma força interior a toda prova. Quanto a isso, não resta dúvida no caso do homenageado: ninguém vive 104 anos sem dispor de uma energia acima da média e de grande interesse pela vida. Se algo ainda paira como pergunta, não é se podemos ou não podemos fazer as coisas, mas sim “quando vamos fazê-las?”. Quando seremos capazes de organizar cidades menos estúpidas e truncadas e “por que não o fazemos?”. Criatividade e talento já temos, há décadas.

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No caso específico de Oscar Niemeyer, por fim, a importância de um reconhecimento “de fora para dentro” não é pertinente nem sequer como cronologia. Embora fosse internacionalmente conhecido desde já os anos de 1930, Niemeyer gozou de bastante prestígio interno antes de ingressar para valer no star system da arquitetura mundial, sob a égide da mirabolante construção de Brasília. Sua contribuição fundamental para o país — e para o Mundo — está no fato de ter imaginado e erguido sínteses plásticas improváveis. Sua fama internacional é apenas uma decorrência desta originalidade intrigante, observada e admirada. Essa fama é o que menos importa. Mas não para a Rede Globo. No programa de Waack e Pelajo, sobrou exaltação. Faltou Brasil, faltou arquitetura e, sobretudo, faltou Niemeyer.brasilia_plane

a ideologia dos “anos dourados”
Muito melhor do que Waack foi o “tropicalista” Gilberto Gil, que — em artigo para O Estado de S. Paulo ontem (6/12) — aproveitou a ocasião para enaltecer o antigo prédio do Ministério da Educação e Saúde, hoje pertencente ao Ministério da Cultura, no centro do Rio de Janeiro. Em seus tempos de ministro, Gil despachou ali, diversas vezes, por gosto e por gesto.

Obra coletiva com a participação destacada de Oscar Niemeyer, erguida no início dos anos de 1940, o prédio do Ministério é um marco da moderna arquitetura brasileira e não foi mencionado em nenhuma das entradas do Jornal da Globo. Supressão? Ignorância? Compreensível?

Aos olhos de um brasileiro médio, Brasília é claramente um milagre embotante: um milagre da política, um milagre da técnica, um milagre de várias ordens. Embora não consensuais, sua força e beleza são evidentes. O “nó da madeira” é que Brasília é também um fato social muito adequado à fabricação da ideia de que o Brasil dos anos 1950 foi um tempo de harmonias inéditas e nunca mais repetidas. Por isso, Brasília vem sempre em primeiro plano: não apenas por ser impressionante, gigantesca, faraônica.

A ideologia dos “anos dourados” é montada às custas de um saudosismo enorme, mas está aí e tem sua força. É uma força inclusive produtiva: é um dado da nossa cultura. Claro, para sustentar a tese dos “anos dourados”, no caso específico da Brasília, é preciso não saber que a “nova capital” foi erguida debaixo dos gritos histéricos de Gustavo Corção e da direita venenosa de Carlos Lacerda, para quem o canteiro do cerrado era apenas um capricho egocêntrico de JK e seus amigos. É preciso não saber que JK quase não assumiu a Presidência, que quase foi vítima de um golpe de estado no final do primeiro ano de seu mandato. É preciso não saber que Vargas suicidou-se em 1954, em meio a um dos mais esquisitos e mal esclarecidos complôs políticos da nossa história. É preciso não saber que havia demandas sociais gritantes, que havia greves, que a “paz aparente” do país era constantemente ameaçada pelos desejos de ruptura institucional udenistas. De todo modo, como a história de Brasília teve o seu “final feliz”, esquecemos de tudo isso. O ensino colegial de história ignora esses pormenores, que engrandeceriam ainda mais os feitos de Niemeyer, Costa, Kubitschek & Cia. É incrível pensar que tenham feito tudo aquilo com o conservadorismo do latifúndio pronto a morder-lhes a canela.

palc3a1cio-capanemaMinistério da Educação e Saúde
Para o prédio do MES, porém, a sina é diferente daquela de Brasília: um “reles” edifício público funcional “perdido” no centro do Rio de Janeiro não tem o poder de chocar e encantar por si só, muito menos a quem não dispõe de repertório cultural e arquitetônico especializado. Por outro lado, também resta observar o quão incômoda parece a ideia de que algo da moderna revolução cultural brasileira possa ter suas raízes no período Vargas, e não tenha brotado diretamente em JK, como emanação de charme. Afinado com essa “recusa”, mesmo que brandamente, o Niemeyer de William Waack “nasceu” com a Pampulha, em 1943. Trocando em miúdos: sempre que é instada a recapitular a história do ciclo virtuoso de inovação e criatividade do Brasil dos anos 1950, a Rede Globo começa a contá-la do “meio para o fim”. Mas isso são longas conversas, para muitas outras horas.

 

post: http://br.noticias.yahoo.com/blogs/zoropa/niemeyer-global-130307898.html

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The poetry of John Tottenham

John Tottenham - Second Blush

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Megan Brian

Laura Palmer

Laura Palmer

http://meganbrain.blogspot.com.br/

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Out of Line

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