CONSUBSTANCIAÇÃO versus TRANSUBSTANCIAÇÃO – “isto é o meu corpo … isto é o meu sangue”


Uma das principais questões que são discutidas, entre o catolicismo e o protestantismo, é em relação a consubstanciação e a transubstanciação do sangue e do corpo de Cristo. Está primeira análise abordado o que representam estes termos e porque estes dois ramos do cristianismo utilizam de forma diferente uma celebração semelhante e ainda, porque um celebra a consubstanciação e o outro a transubstanciação.

Consubstanciação significa a união de dois ou mais corpos na mesma substância. É a presença de Cristo na Ceia, não literalmente como corpo e sangue no lugar do pão e do vinho, mas como presença que está na celebração.


Transubstanciação significa a mudança de uma substância noutra. É a transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo literalmente na Eucaristia.

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Ainda duas palavras merecem ser diferenciadas, que são a Ceia e a Eucaristia:

Ceia é um termo utilizado pelos protestantes se referindo a celebração que foi feita por Cristo pouco antes de Sua morte, e também à celebração que é feita atualmente pelos evangélicos em memória do que Cristo fez ao partir o pão e tomar o cálice, para celebrar a Sua ressurreição, como Salvador de muitos.

Eucaristia é o sacramento, que segundo a doutrina católica, contém realmente o corpo e o sangue de Cristo. Também como celebração da ressurreição de Cristo como Salvador.

Diante das definições dos termos acima, algumas coisas ficam mais claras. Quando, na definição do que é consubstanciação, utilizei o termo Ceia, foi com o único intuito de demonstrar que os protestantes são quem celebram a Ceia (enquanto os católicos celebram a Eucaristia) e ao utilizarem como elementos o pão e o vinho (ou suco de uva), não é crido que o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo literalmente, mas é crido que a presença Dele está naquele lugar. Diferente porém, da Eucaristia celebrada pelo catolicismo, pois nesta celebração, a transubstanciação é a doutrina, e assim creem que o pão e o vinho estão literalmente transformados no corpo e no sangue de Cristo.

Agora a principal questão é fazer uma análise bíblica e ver o que as passagens que abordam estes termos demonstram:

Nos Evangelhos sinóticos1 (Mateus, Marcos e Lucas) tem uma referência à Ceia de forma semelhante, mas analisaremos o que diz Mateus.

Em Mateus 26:26-30 diz:

26 Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.

27 A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos;

28 porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.

29 E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.

30 E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.”

Os versículos 26 e 28 deixam claro quando dizem “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”, ou seja, a palavra isto se refere àquele momento específico, tomando o pão e o vinho como representações do Seu próprio corpo e sangue. E não se referindo literalmente, e mesmo que naquele momento fosse literal (o pão e o vinho transformados em corpo e sangue), o versículo 29 explica que “E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.”

É bom lembrar que além da palavra isto está em português, temos também o texto grego (Textus Receptus) e latim (Vulgata), onde a palavra (isto) é τουτο no grego; e hoc no versículo 26 e hic est no versículo 28, no latim; e ambas significam (isto).

Portanto ainda que o corpo e o sangue de Cristo realmente estivessem na Ceia em que Ele realizou com os discípulos, fica claro para nós, que não podemos participar desta celebração, levando em consideração que o corpo e o sangue de Cristo estão literalmente transformados, pois Ele mesmo disse “desta hora em diante, não bebereideste fruto da videira”. Mas podemos fazê-lo como o apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios 11:24 e 25 “24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim25 Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”

Desta forma podemos celebrar a Ceia ou Eucaristia em memória de Cristo, mas não utilizando os elementos (pão e vinho) como se fossem a própria transubstanciação do corpo e do sangue de Cristo, pois não podemos beber do fruto da videira como algo literal, porque “não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.”

1 Syn (juntamente) + ótico (ver) = ver juntos ou semelhantes, por isso são Evangelhos com relatos semelhantes sobre a vida de Jesus.

Versão Bíblica utilizada: Revista e Atualizada, segunda edição de João Ferreira de Almeida.

Fonte: Rafael H. G. Botelho

http://www.textosagrado.com.br/consubstanciacaoxtransubstanciacao.html

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