Feliz Ano Novo Passado em Marienbad

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Mais uma vez -, caminho, mais uma vez, ao longo destes corredores, através destes salões, destas galerias, nesta construção – de outro século, este hotel imenso, luxuoso, barroco – lúgubre, onde corredores intermináveis sucedem-se a intermináveis corredores, – silenciosos, desertos, sobrecarregados de uma decoração sombria e fria, feita de lambris, de gesso, de painéis emoldurados, mármores, espelhos negros, quadros de cores escuras, colunas, tapeçarias pesadas  – umbrais de portas esculpidos, fileiras de portas, de galerias  – de corredores transversais quematcho3 por sua vez desembocam em salões desertos, em salões sobrecarregados de uma ornamentação de outro século, de salas silenciosas onde os passos daquele que caminha são absorvidos por tapetes tão pesados, tão espessos, que nenhum ruído de passos chega ao seu próprio ouvido, como se o próprio ouvido daquele que caminha mais uma vez ao longo destes corredores, através destes salões, destas galerias, nesta construção de outro século, este palácio imenso, luxuoso, barroco – lúgubre, onde corredores intermináveis se sucedem a corredores – silenciosos, desertos, sobrecarregados de uma decoração sombria  e fria feita de lambris, de gesso, painéis emoldurados – mármores, espelhos negros, quadros de cores escuras, colunas, pesadas tapeçarias – umbrais de portas esculpidos, fileiras de portas, de galerias, de corredores transversais – que por sua vez desembocam em salões desertos, salões sobrecarregados de uma ornamentação de outro século – de salas silenciosas onde os passos daquele que caminha são absorvidos por tapetes tão pesados, tão espessos, que nenhum ruído de passos chega a seu próprio ouvido –  como se o próprio ouvido estivesse muito longe, muito longe do chão, dos tapetes, muito longe desta decoração pesada e vazia, muito longe desta frisa complicada de cores sob o teto, com seus ramos e guirlandas, como folhagens antigas, como se o chãoainda fosse de areia ou de cascalho ou de lages de pedra, sobre as quais caminhava, como a seu encontro

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– entre estas paredes carregadas de lambris, de gesso, de sancas de quadros, de gravuras emolduradas, entre as quais eu caminhava, – entre as quais eu já a esperava, muito longe deste cenário onde me encontro agora, diante de você, ainda a esperar aquele que não mais virá, que não deverá mais vir, que não deverá nos separar, que não deverá mais arrancá-la de mim.     Você vem?    (Alain Robbe-Grillet et Alain Resnais)

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