A era do niilismo – Heidegger vs Nietzsche

Segundo Nietzsche, esse hóspede da Modernidade – niilismo – tem várias interfaces, podendo ele se apresentar como negativo, passivo, reativo e ativo (NIETZSCHE apud GOMES, 2004, p. 166). O niilismo negativo, que é de onde os demais surgem, tem sua origem com o platonismo e com o cristianismo. Além de ter sua base na desvalorização e na dissolução dos valores supremos tradicionais e propor novos valores no lugar destes, consiste na negação do mundo sensível, perene, em prol da afirmação do mundo ideal, supra-sensível, o que deixa evidente que, nesse primeiro tipo de niilismo, o homem deseja se desvincular do tempo, para se tornar infinito.

Polluted eyes001 – Wonmi Seo

O niilismo passivo é crença na ideia de que a vida não tem mais valor e de que o ser humano está só e desamparado no universo. É a vontade de nada, já que é um sinal de fraqueza do espírito, pois o indivíduo, na etapa niilista, reconhece os valores antigos como falsos, mas não se tem a força para destruí-los e muito menos para instaurar novos valores (GOMES, 2004, p. 166).

O reativo se manifesta como ocultamento do transcendente – de Deus, dado que é uma “reação explícita aos valores superiores instaurados pela criação do Deus cristão” (GOMES, 2004, p. 166), o que deixa explícito a noção de morte de Deus e de toda dimensão da transcendência.

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Personal Message Michael Dumontier and Neil Farber (new IG)

Já o niilismo ativo é a transvaloração dos valores, pois: “Aqui, a vontade de poder assume seu poder de ação e destruição” (GOMES, 2004, p. 166) e, através dela, o homem cria os seus valores e afirma sua existência, i. é, por meio desse desapego de Deus, o homem afirma a sua vontade de potência, o que faz com que emirja a responsabilidade do ser humano de ter que se construir por si só ( PECORARO, 2009, p. 391).

Já quanto ao niilismo de Heidegger, Vattimo vai dizer que ele segue a linha do nietzschiano, porém com a seguinte distinção: se, para Nietzsche, o niilismo consiste na desvalorização dos valores supremos, para Heidegger, ele é o esquecimento do ser – “confusão” entre ente e ser; sua categorização e presentificação, mas deixa claro, assim como Nietzsche, que se deve buscar algo para além do niilismo (PECORARO, 2009, p.392).

Perante este esquecimento do ser, Heidegger propõe uma nova maneira de pensá-lo, que é através da ontologia, ou seja, pensando-o a partir do Dasein – o ser-aí: único ente capaz de se perguntar pelo sentido do ser (ROBERTO, 2009).

Vicki Jauron, Babylon and Beyond Photography / Getty

De acordo com Nietzsche e Heidegger, a modernidade pode se caracterizar pelo fato de que ela se baseia na apropriação dos “fundamentos”, que freqüentemente são pensados também como as “origens”, de modo que as revoluções teóricas e práticas da história ocidental se apresentam e se legitimam, na maioria das vezes, como “recuperações”, renascimento, retorno (VATTIMO, 1996, p. VI).

 

Referências

GOMES, Elizeu Donisete de Paiva. Uma leitura do niilismo nietzschiano como história do Ocidente. In: Provocações: ensaios filosóficos. Mariana: Dom Viçoso, 2004. p.145-191.

GOMES, Tiago da silva. O “pensamento fraco” como característica emblemática da pós-modernidade. Pensamento extemporâneo, Mariana, 2009. Disponível em: <http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2009/10/24/o-%E2%80%9Cpensamento-fraco%E2%80%9D-como-caracteristica-emblematica-da-pos-modernidade/>. Acesso em: 31 maio 2011.

PECORARO, Rossano. Os filósofos: clássicos da filosofia. Petrópolis: Vozes; Rio de Janeiro: PUC – Rio, 2009. V. III.

ROBERTO, Luciano da Silva. Os modos de ser do “Dasein” a partir da analítica existencial heideggeriana. Pensamento extemporâneo, Mariana, 2009. Disponível em: <http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2009/08/15/os-modos-de-ser-do-%e2%80%9cdasein%e2%80%9d-a-partir-da-analitica-existencial-heideggeriana/>. Acesso em: 31 maio 2011.

VATTIMO, Giovanni. O fim da modernidade: niilismo e hermenêutica na cultura pós-moderna. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1996. [1985]

Via:

Joel Santos de Marselha – Niilismo: o alicerce da pós-modernidade?

http://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=1514

 

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