MANIFESTO ANARQUISTA – Texto dedicado a Errico Malatesta.

Nós, anarquistas, compreendemos o mundo e, junto dele, toda sua deslumbrante diversidade biológica, sua riqueza natural multiforme, formada por todas as espécies, cadeias de seres vivos e elementos transitórios coadunados, em uníssono, a todos os nossos humanos semelhantes, estes: únicos, nossos iguais, sublimíssimos e verdadeiros irmãos. Nós, não conseguiríamos, sequer poderíamos imaginá-los, como estas meras mercadorias descartáveis e efêmeras, tão em voga no nosso tempo, utilizadas unicamente para a satisfação e bel prazer pessoal; muito menos,conseguiríamos tolerá-los, idolatrá-los como nossos supostos líderes, donos, superiores, chefes ou senhores. Os enxergamos da forma mais elementar, e ao mesmo tempo, elevada possível. Os percebemos como sendo e fazendo parte de um organismo social, Uno, planetário, vivo, indissociável, complexo e interligado com milhões de possíveis conexões, estas, intimamente conscientes de algo maior – eu até poderia aqui descrever algo como “um coletivo universal” – tornando-se, entendendo-se e assim sendo, inevitavelmente solidárias. Os vemos como amigos imprescindíveis, fraternos, cúmplices de nossa incansável e universal esperança, que, há séculos nos foi roubada, e, que agora prostituída, brada como um trovão em nossas gargantas pela ardente, sequiosa, completa e libertária Justiça. Nós, anarquistas, estamos despertos, somos como o “primeiro homem” (no antigo mito de Platão), onde, libertando-se de seu medo interior (originado e devido ao medo coletivo), abandonou a caverna de sombras que habitava em busca de seu sonho, de seu mundo mágico, fascinante e real. Assim como o “primeiro homem” citado, também imaginamos, acreditamos, e para ser sincero, temos completa certeza de que podemos transmutar este mundo de sombras e sobras por um mundo de encanto, abundância e vida… Um mundo solidário, com flores, mel, cultura, trabalho, arte, dignidade, liberdade e principalmente, pão à todas as bocas. Este mundo, seria como o brilho calmo de uma nova manhã refletida na indulgente e a nós devotada luz do Sol. Nós, anarquistas, vigilantes, sabemos perfeitamente que todas as nossas ações individualistas mal planejadas, interferem, direta e drasticamente no movimento conjunto, sui generis global, e na conexão de todas as interdependências humanas. Possuímos total convicção de que todos os sistemas anteriormente e erroneamente teorizados, formulados em hierarquias, em classes, em acúmulo de capital e monopólios, falharam. Estes sistemas, em sua totalidade, apenas nos ensinaram como o homem pode ser corrompido, mau, opressor, presunçoso, ditador, arrogante, autoritário e tirano para com seus semelhantes, se estes, lhes deixarem assumir ou lhe delegarem poder… A integralidade destes sistemas escravizou, e, a perpetuação incessante de suas covardias ainda nos tortura – os corpos, as mentes, nossos anseios, sentimentos, nosso tão precioso tempo, nossas vontades e, sobretudo, nossas verdadeiras paixões – diariamente. Há tempos percebemos com exatidão a total ineficácia da “ordem” burguesa estabelecida. Esta “ordem” é formada por igrejas, bancos, oligarquias, escolas, conglomerados megalomaníacos de investidores monetários que lucram exorbitantemente sobre a miséria e a falta de instrução do povo, pela polícia, exércitos, pela propriedade privada latifundiária hereditária, pelo aparato doentio, corrupto e ultrapassado do Estado, pelas fronteiras, pelas barreiras físicas e mentais instituídas em lei e em decretos religiosos, pela mídia, pelos jogos de alienação em massa, pelas mentiras incessantemente repetidas e propagandeadas por jornais, rádios e televisores à inculta e desorientada plebe faminta. Nós, anarquistas, buscamos a emancipação completa da liberdade humana! Liberdade esta, que encontrará a sua totalidade e refúgio na livre associação de indivíduos conscientes, na intrínseca vontade de homens e mulheres – com iguais direitos e deveres – em querer transcender as atuais, brutais e assassinas formas de condicionamento, que buscarão, aperfeiçoando constantemente novas formas de ensino, novas maneiras de aprendizado e educação às futuras gerações, tendo por princípios: unicamente a razão de suas mentes e a soberania complacente da Ciência. O homem, emancipado, dono de Si, não mais subjugado em seu nascimento como há séculos o é, perceberá que a liberdade, só poderá ser experimentada e vivificada plenamente por todos na comunhão da igualdade social, igualdade esta: política e também econômica. A liberdade, às vezes a nós relatada em livros de contos ou romances pela classe privilegiada, nunca nos é verdadeiramente esclarecida ou assimilada plenamente porque: a grande e vilipendiada maioria do povo, por não possuir os meios de produção e subsistência, e também por não ter acesso à instrução integral, sucumbe em sua escravidão e ignorância. Nós, anarquistas, somos completamente contrários às atuais formas de divisão do trabalho, o trabalho parcelar, mecânico, repetitivo, nocivo e hostil à mente e ao corpo do indivíduo, que espreitado pela sua própria fome ou, pela digna e honrosa ânsia em buscar o sustento de sua família, sujeita-se à exploração econômica capitalista. O homem moderno, bestial, homem-máquina, embrutecido e escravo-padrão, tem seu espírito destruído pela uniformidade e mecanização das fábricas, pelas jornadas intermináveis de trabalho nas indústrias, que lhes esgota e lhes rouba a alma em troca de sua sobrevivência, que lhe impossibilita expandir seus níveis de autoconhecimento, de compreensão e entendimento sobre o que é a ajuda-mútua, a fraternidade e a solidariedade humanas. Se buscássemos, absorvêssemos esta percepção, o ideal anarquista – a consciência altruísta de mundo e de comunidade, a transmutação generosa e completa de nossos valores, de nossos princípios, de nosso pensar, de nosso semear e de nosso convívio – por nós, seria instaurado… Nós, anarquistas, sabemos perfeitamente que as instituições religiosas e de ensino, as judiciais e burocráticas, as industriais e latifundiárias, foram meios autoritariamente legalizados pelo Estado para que a classe dominante (pequena aristocracia privilegiada) continuasse deles desfrutando e, perpetuasse o adestramento do pensar e do agir em massa, ludibriando deste modo, o povo ao querer egoísta mesquinho, entretendo-o com distrações medíocres e volúveis, com o consumo compulsivo de produtos e sentimentos fugazes, fazendo-o crer, depois de repetirem-lhe incomensuravelmente suas mentiras – até conseguirem as fazer se tornar “verdades” – que, o individualismo egocêntrico e a competitividade (excludente de vidas e alianças), foram e continuam sendo as únicas soluções aceitáveis para a qual, a sociedade humana deve continuar existindo. Desta exclusão social, degradada pela individualidade e a competitividade exacerbada, é que resultam a imensa maioria das iniquidades, transtornos, violências e distorções sociais praticadas por mentes e espíritos que se tornam doentes, unicamente por desconhecerem uma sociedade mais justa e outras formas de cooperação e convivência harmoniosa. Os transgressores, infratores, ladrões de toda espécie, maníacos e marginais, são o “produto” – quer queiram ou não – do próprio meio que um dia lhes vomitou à margem, à restrição, ao afastamento do “bom convívio social”. Nós, anarquistas, somos contrários à todas as atuais formas de cárceres, prisões degradantes, fronteiras, patriotismos, partidos políticos, governos, alfândegas, barreiras… Acreditamos que apenas indivíduos livres (libertos de todas as imposições e misticismos) poderão absorver e possuir a consciência necessária para restituir a honra, a moral, os princípios fundamentais que nortearão uma nova sociedade baseada no convívio da paz, ajuda, cooperação e apoio-mútuos. Nós, anarquistas, estamos cientes de que homem nenhum recebeu ou herdou da natureza o direito de explorar, escravizar e mandar em outro homem.  As religiões, assim como todos os atuais governos, a propriedade privada latifundiária hereditária, as castas sociais abastadas e os privilégios hierárquicos são apenas meras invenções da profana, ambiciosa e egoísta mente humana. Mais do que na hora está de destruirmos todas estas ilusões! A Anarquia Vive! O Amor é compartilhado neste momento!!!!!!!

Marciano Junior Maraschin

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