
via: https://www.marcodeangelisart.com/umorismo/umorismo01.html


Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.” (O Caibalion)










Signo é aquilo que, não tendo em si verdade, condiciona o movimento e o conceito da verdade.

O conceito clássico de signo estabelece-se em uma estrutura de remissão e de substituição.
O signo representa o presente em sua ausência, o substitui.

Juien Opie
Quando não se pode tomar ou mostrar a coisa, passamos pelo desvio do signo.

A circulação dos signos difere o momento em que poderíamos encontrar a própria coisa.

via: Glossário de Derrida - Supervisão de Silviano Santiago

A partir da leitura desconstrutora do texto artístico, observa-se que o significado não possui mais um lugar fixo (centro), mas, sim, passa a existir enquanto construção substitutiva que, na ausência de centro ou de origem, faz com que tudo se torne discurso e a produção da significação se estabeleça mediante uma operação de diferenças.


Dessa forma, eliminando-se qualquer referência a um centro, a um sujeito, e não mais se privilegiando aspecto algum sob o disfarce da “origem”, a atividade insterpretativa, com base na polissemia do texto artístico, vai permanecer sempre imcompleta, ou noutras palavras, nunca pretendendo chegar a esgotar o significado do objeto-texto na sua totalidade.

Não existe significado último, verdadeiro, oculto, que a elaboração analítica vai descobrir. A descoberta é a apreensão da coexistência mútua de várias direções significantes num mesmo conceito ou metáfora.

via: Glossário de Derrida - Supervisão de Silviano Santiago







pour Saussure le point de vue crée l’objet
– a política e a poesia são demais para um homem só –

Não anuncio cantos de paz
nem me interessam as flores do estilo.
Como por dia mil notícias amargas
que definem o mundo em que vivo
Não me causam os crepúsculos
a mesma dor da adolescência.
Devolvo tranqüilo à paisagem
os vômitos da experiência.
(As belas letras disfarçam ninhos de vermes nas flores.
Estas flores são a coroa dos regimentos da mentira
como as comendas dos chanceleres
e as espadas dos generais
que determinam nos Atos
o regime de animais)

Glauber Rocha (1939-1981)
Poema de Mário Faustino (1955)
(Em memória de um poeta suicida)

Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmos sangrento e a alma pura.
Porém, não se dobrou perante o fato
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura),
Jogou-se contra um mar de sofrimentos
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim
Para afirmar-se além de seus tormentos
De monstros cegos contra um só delfim,
Frágil porém vidente, morto ao som
De vagas de verdade e de loucura.
Bateu-se delicado e fino, com
Tanta violência, mas tanta ternura!
Cruel foi teu triunfo, torpe mar.
Celebrara-te tanto, te adorava
Do fundo atroz à superfície, altar
De seus deuses solares – tanto amava
Teu dorso cavalgado de tortura!
Com que fervor enfim te penetrou
No mergulho fatal com que mostrou
Tanta violência, mas tanta ternura!
Envoi
Senhor, que perdão tem o meu amigo
Por tão clara aventura, mas tão dura?
Não está mais comigo. Nem conTigo:
Tanta violência. Mas tanta ternura.
