A Poesia de – Yeats

Leda e o Cisne, W.B.Yeats (Paulo Vizioli, W. B. Yeats, SP, Cia das Letras, 1992)


Um baque súbito: ei-lo em forte ruflar de asa

Sobre a jovem que oscila, a coxa lhe acarinha

Com a membrana escura, a nuca lhe atenaza,

E o peito sobre o peito sem amparo aninha.

Que podem suas mãos, vagas de horror, perante

O emplumado esplendor que aparta as coxas dela?

Que pode o corpo, sob a alvura avassalante,

Se não sentir que o estranho coração martela?

Um tremor nos quadris ali vem conceber

A muralha fendida, a torre a se queimar

E o morto Agamenão.

Enquanto sob o impasse,

Enquanto a dominava o sangue bruto do ar,

Tomou o saber dele com seu poder

Antes que o bico indiferente a abandonasse?

Paulo Vizioli, mais do que uma tradução, consegue nessa versão uma interpretação do sentimento lúdico desenhado por Yeats.   Em tradução mais recente, Vizioli procura precisar o léxico, abrindo mão da vultosidade textural da versão de 1992; mas mesmo diferindo com o esquema de rimas final “efgfeg” em relação ao original em inglês, e ao usar uma métrica em dodecassílabos, a versão acima possui a coesão necessária à lenda e à Yeats.  (L.E.Geara)

ref. Friedman, Eduardo

http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2009/relatorio/ctch/let/eduardo.pdf

Sebald Beham (1584)

Leda e o Cisne,  W.B. Yeats (tradução recente de Paulo Vizioli)

Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.

Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?

Um tremor nos quadris engendra incontinente
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.

Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente.

Leda and the Swan
by W. B. Yeats
A sudden blow: the great wings beating still
Above the staggering girl, her thighs caressed
By the dark webs, her nape caught in his bill,
He holds her helpless breast upon his breast.

How can those terrified vague fingers push
The feathered glory from her loosening thighs?
And how can body, laid in that white rush,
But feel the strange heart beating where it lies?

A shudder in the loins engenders there
The broken wall, the burning roof and tower
And Agamemnon dead.
                    Being so caught up,
So mastered by the brute blood of the air,
Did she put on his knowledge with his power
Before the indifferent beak could let her drop?

Étienne Delaune (1550?)

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