Magallânica, ou a Terra Austral Desconhecida (latim) é um termo histórico que se refere a uma hipotética massa terrestre que cartógrafos e exploradores europeus dos séculos XVI e XVII acreditavam existir no hemisfério sul. Essa ideia surgiu da crença de que deveria haver um grande continente no sul para equilibrar as massas terrestres do hemisfério norte, de acordo com a teoria do equilíbrio da Terra.

A ideia da Terra Australis Incognita remonta à antiguidade clássica, com pensadores como Aristóteles e Ptolomeu, que especulavam sobre a existência de uma grande terra no sul. Durante a era das descobertas, essa ideia foi revitalizada, especialmente depois que Fernão de Magalhães descobriu o estreito que leva seu nome (1520) e sugeriu-se que as terras ao sul do estreito poderiam ser parte desse continente desconhecido.

Ao longo dos séculos XVI e XVII, muitos mapas, como os de Gerardus Mercator e Abraham Ortelius, incluíram a Terra Australis como uma grande massa continental que abrangia o Polo Sul. No entanto, expedições posteriores, como as de James Cook no século XVIII, demonstraram que tal continente não existia nas dimensões imaginadas. Em vez disso, foram descobertas a Austrália, a Antártica e outras ilhas menores, mas nenhuma delas correspondia à vasta terra descrita nos mapas antigos.

Finalmente, no século XIX, confirmou-se a existência da Antártica, o verdadeiro continente austral. Embora não fosse a Terra Australis imaginada pelos antigos, a Antártica tornou-se o último grande descobrimento geográfico da humanidade.
O termo Magallanica está especificamente associado às explorações da região do Estreito de Magalhães e das terras ao sul, enquanto Terra Australis Incognita representa mais uma ideia filosófica e cartográfica. Hoje, esses termos são lembrados como parte da rica história da exploração e da cartografia, e como um testemunho de como mitos e teorias impulsionaram os exploradores a descobrir novos mundos.