Haters Gonna Hate – The Simpsons

Spacecoyote

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The Smiths Covers

1. THE SMITHS

Imagem captura de Flesh, de 1968. Filme de arte de Andy Warhol, que compõe a trilogia formada por Trash Heat.

O modelo é Joe Dallesandro que também aparece na capa de Sticky Fingers, dos Rolling Stones.

2. THE QUEEN IS DEAD

Alain Delon ilustra a capa de The Queen Is Dead. Quando The Smiths acabou, Morrissey declarou que jogou no lixo todos os pertences que lembravam sua antiga banda, menos a carta que recebeu do ator francês elogiando o trabalho.

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3. THIS CHARMING MAN

Orphée, de 1950, foi dirigido por Jean Cocteau e estrelado por Jean Marais. Na cena original o personagem tenta seguir algumas pessoas através de um espelho, mas não consegue. Minutos depois ele acorda deitado sobre um pequeno lago.

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4. WHAT DIFFERENCE DOES IT MAKE?

The Collector conta a história de Frederick Clegg, jovem solitário que coleciona borboletas. Ele é apaixonado por Miranda Grey, estudante de arte, e é incapaz de fazer qualquer contato com ela por causa da timidez. Sua vida muda após ganhar prêmio de loteria, o que permite comprar casa no campo. O sentimento de solidão aumenta e ele resolve “colecionar” a jovem.

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Dois momentos importantes na carreira do ator Terence Stamp: como o General Zod, em Superman II, de 1980…

…e como Bernadette no filme Priscilla – A Rainha do Deserto.

5. THE COMPLETE PICTURE

Compilação de clipes e apresentações ao vivo, lançada em 1992. O ator de capa chama Richard Davalos. Ele também aparece em Strangeways, Here We Come, último disco de estúdio do The Smiths. As duas imagens foram capturadas do filme East Of Eden, estrelado por James Dean. É possível reconhecer sua mão?

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A ideia original para Strangeways… era usar foto de Harvey Keitel, em Quem Bate À Minha Porta, de Martin Scorcese, filmado em 1967. O ator não autorizou o uso de sua imagem.

Capa oficial…

…e opção não autorizada.

6. I STARTED SOMETHING I COULDN’T FINISH

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7. STOP ME IF YOU THINK YOU’VE HEARD THIS ONE BEFORE

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As duas imagens foram capturadas do filme The Family Way, de 1966. A atriz chama Avril Angers, o ator Murray Head. O filme conta história de jovem casal que após cerimônia de casamento, viajaria para Ilha Majorca, na Espanha, mas descobre que foi enganado pelo agente de viagem. A trilha foi escrita e gravada por Paul McCartney, em 1967. O título aparece como “The George Martin Orchestra – The Family Way Original Motion Picture Soundtrack”. Ela é considerada o primeiro disco solo de um ex-Beatle, embora Wonderwall Music, de George Harrison, ter sido lançado em novembro de 1968.

8. PANIC

O ator americano chama Richard Bradford. Nos anos 60 ele estrelou Man In A Suitcase, série de televisão, no Reino Unido. Depois de ver o trabalho pronto, ele declarou: “Eu lembro do The Smiths. Ouvi que eles eram uma grande banda. Eles queriam usar minha imagem e eu disse SIM. Eles mandaram apenas a capa, sem o disco dentro. Eu nunca escutei Panic.”

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9. WILLIAM IT WAS REALLY NOTHING

A versão original do single, em vinil, vem com a atriz Billie Whitelaw na capa. A imagem foi capturada do filme Charlie Bubbles, de 1967. Anos depois, a versão em cd, lançada no Reino Unido, tem o ator Colin Campbell do filme The Leather Boys, de 1964.


Cenas do filme The Leather Boys viraram o clipe da música “Girlfriend In A Coma”.

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Em 1988 a atriz Billie Whitelaw participou do clipe “Everyday Is Like Sunday”, do Morrissey. Ela aparece dirigindo o carro e segurando a chaleira elétrica.

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10. SINGLES

A banda acabou em 1987. Em 1992 chegou ao mercado a compilação Best I e II. Três anos depois Singles foi lançado com a atriz Diana Dors na capa. A imagem foi capturada de Yield Into The Night, de 1956, dirigido por J. Lee Thompson.

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EXTRA: SHOPLIFTERS OF THE WORLD UNITE

Primeira foto oficial de divulgação de Elvis Presley, registrada em 1955 por James R. Reid, seu cabelereiro.

post: http://dezcapas.wordpress.com/2011/08/10/quarta-feira-001/

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Led Zeppelin’s “Stairway to Heaven” Cryptic Conundrum

deldebbio | 7 de outubro de 2010

“Stairway to Heaven” é a mais famosa canção da banda inglesa Led Zeppelin. Composta pelo guitarrista Jimmy Page e pelo vocalista Robert Plant para o quarto álbum de estúdio da banda, Led Zeppelin IV. Mas o que ela significa?

Para entendermos o significado da letra, precisamos colocar a música e o próprio Led Zeppelin dentro do contexto na qual ela foi escrita. Jimmy Page e Robert Plant. A música foi composta em 1970-71, bem no período onde Page morou em Boleskine e era dono de uma livraria especializada em ocultismo, a “The Equinox Booksellers and Publishers” e chegou a publicar alguns textos de Aleister Crowley, apesar de nunca ter se iniciado formalmente na Ordo Templi Orientis. Sabendo disso, podemos colocar a música em sua perspectiva correta: Assim como os graus nas Ordens que vieram da Rosa Cruz (como a Golden Dawn, por exemplo)todo o processo de evolução caminha na subida alegórica pela Escada Celestial (Starway) e é disso que a música trata.

There’s a Lady who’s sure,
All that glitters is gold,
And she’s buying a Stairway to Heaven.

Esta “Lady”, ao contrário do que as pessoas imaginam, não é a Shirley Bassed (essa idéia apareceu em uma referência de Leonard tale no CD Australiano). A “Lady” que Robert Plant fala é Yesod, a Qualidade Universal do Espírito, a Princesa aprisionada dos contos de fada, a vontade primordial que nos leva á meditação, ao auto-conhecimento e ao início da Escada de Jacob, que é a Starway to Heaven, (Caminho das estrelas), trocadilho com o nome da música e que também foi utilizado em outros contextos para expressar as mesmas idéias, como por exemplo, no nome “Luke Skywalker” na Saga do Star Wars.
Na Mitologia Nórdica, a Lady é Frigga, também conhecida como Ísis, Maria, A Mãe, Iemanjá, Diana, Afrodite, etc… um aspecto de toda a criação e presente em cada um de nós.
Robert plant fará novas referências a esta “Lady Who´s sure” em outras músicas (Liar´s Dance, por exemplo, que trata do “Book of Lies” do Aleister Crowley).
Ao contrário do senso comum, que diz que “Nem tudo que reluz é ouro”, esta Lady possui dentro de si a esperança e o otimismo para enxergar o bem em todas as coisas; ver que tudo possui brilho e que mesmo a menor centelha de luz divina dentro de cada um possui potencial de crescimento.
E dentro deste entendimento, ela vai galgando os degraus desta escada para os céus. Na Kabbalah, os 4 Mundos formam o que no ocultismo chamamos de “Escada de Jacob”, descrita até mesmo em passagens da Bíblia. Esta “escada” simbólica traz um mapa da consciência do ser humano, do mais profano ao mais divino, que deve ser trabalhada dentro de cada um de nós até chegar à realização espiritual.
Aqui que os crentes e ateus escorregam. Eles acham que deuses são reais no sentido de “existirem no mundo físico” e ficam brigando sobre veracidade de imagens que apenas representam idéias para um aprimoramento interior.

When she gets there she knows,
If the stores are all closed,
With a word she can get what she came for.

Aqui é mencionado o “verbo”, ou a “palavra perdida” capaz de dar criação a qualquer coisa que o magista desejar. A Vontade (Thelema) do espírito do Iniciado é tão forte que “quando ela chegar lá ela sabe que se todas as possibilidades estiverem fechadas, ela poderá usar a palavra para criar o que precisar”. Este primeiro verso coloca que a dama está trilhando o caminho até a Iluminação e tem certeza daquilo que deseja, ou seja, conhece sua Verdadeira Vontade..

There’s a sign on the wall,
But she wants to be sure,
’cause you know sometimes words have two meanings.

Ainda trilhando este caminho, a dama precisa ser cautelosa. Porque todo símbolo possui vários significados. Todas as Ordens Iniciáticas trabalham e sempre trabalharam com símbolos: deuses, signos, alegorias e parábolas. Os Indianos chamam estes caminhos falsos de Maya (a Ilusão) e em todos os caminhos espirituais os iniciados são avisados sobre os desvios que podem levá-los para fora deste caminho (ou o “diabo” na Mitologia Cristã).

In a tree by the brook
There’s a song bird who sings,
Sometimes all of our thoughts are misgiven.

A Árvore a qual ele se refere é, obviamente, a Árvore da Vida da Kabbalah, ou Yggdrasil, na Mitologia Nórdica, a conexão entre todas as raízes do Inferno (Qliphoth) e as folhas nos galhos mais altos (Runas). Brook (Riacho) também é um termo usado no Tarot para designar o fluxo das Cartas em uma tirada, e o pássaro representa BA, ou a alma em passagem, considerada também o símbolo de Toth (que, por sua vez, é o lendário criador do Tarot, ou “Livro de Toth”, segundo Aleister Crowley) então a frase fica com dois sentidos: literal, que é uma árvore ao lado de um rio onde há um pássaro; e esotérico, que trata de Toth, deus dos ensinamentos (Hermes, Mercúrio, Exú, Loki…) aconselhando o iniciado enquanto ele trilha a subida simbólica pela Árvore da Vida.

There’s a feeling I get when I look to the west,
And my spirit is crying for leaving.

O “Oeste” na Rosacruz, na Maçonaria e em várias outras Ordens Iniciáticas, representa a porta do Templo, os profanos ou a parte de Malkuth, o mundo material (enquanto o Oriente representa a luz, o nascer do sol). Ela não gosta do que vê e seu espírito quer trilhar um caminho diferente.

In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking.

Os anéis de fumaça são o símbolo usado para representar os espíritos antigos, os ancestrais dentro do Shamanismo. Os grandes professores e os Mestres Invisíveis que auxiliam aqueles que estejam dentro das ordens iniciáticas

And it’s whispered that soon if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason.
And a new day will dawn for those who stand long,
And the forests will echo with laughter.

Flor da Vida

O “piper” é uma alusão ao flautista, ou Pan. O “Hino a Pã” é uma poesia de 1929 composta por Crowley (e traduzida para o português pelo magista Fernando Pessoa) que trata do Caminho de “Ayin” dentro da Árvore, que leva da Razão à Iluminação e é representada justamente pelo Arcano do Diabo no Tarot e pelo signo de Capricórnio, o simbólico Deus Chifrudo das florestas. As “florestas ecoando com gargalhadas” sugere que aqueles que estão observando (os Mestres Iniciados) estarão satisfeitos quando os estudantes e todo o resto do Planeta chegarem ao mesmo ponto onde eles estão e se juntarem a eles.

If there’s a bustle in your hedgerow,
Don’t be alarmed now,
It’s just a spring clean for the May Queen.

Esta parte não tem nada a ver com garotas chegando à puberdade. As mudanças referem-se à morte do Inverno e chegada da Primavera, que representa a superação das Ordálias e caminhada em direção à Verdadeira Vontade.

A bustle in your hedgerow,” the enigmatic line in Led Zep’s “Stairway To Heaven” classic, has mystified music mavens for decades. Hopefully, the following will sprinkle a scintilla of elucidation and edification upon this cryptic conundrum.

A hedgerow is a hedge that surrounds many estates in Britain.

Bustle, or noise or activity, used in this sense, means a disturbance close to home. Something’s happening in your world!

It’s just a spring clean for the May Queen.

Spring cleaning is an old domestic ritual cleaning meant to do away with the troubles of the past year and prepare for the coming year, and often includes disposing of old, useless things that have been lying around.

The May Queen was a maiden chosen by a village to represent the hopes and potential for the coming year. She was a symbol of beauty, spring and new beginnings.

So here, as an analogy, the lyric refers to getting rid of old and outdated systems in order to allow progress to occur.

OR it can refer to menarche, or the first menstrual cycle, signifying that a girl is coming of age.

OR, it could mean that you have a fuckin’ bee in your bonnet!

Yes there are two paths you can go by,
But in the long run
There’s still time to change the road you’re on.

A lembrança de que sempre existem dois caminhos, e também uma referência ao Caminho de Zain (Espada, que conecta o Iniciado em Tiferet à Grande Mãe Binah, representada pelo Arcano dos Enamorados no Tarot). Separa a parte dos prazeres terrenos (chamados de “pecados” na cristandade ou de “Defeitos Capitais” na Alquimia) e o caminho da iluminação espiritual. A escolha é nossa e é feita a cada momento de nossa vida em tudo o que fazemos, e qualquer pessoa, a qualquer momento pode mudar de caminho (espero que do mais baixo para o mais elevado…)

And it makes me wonder.

Robert Plant coloca várias vezes esta frase na música, em uma referência ao Arcano do louco (e o Caminho do Aleph na Kabbalah), como o sentimento de uma criança que se maravilha com tudo no mundo pela primeira vez (no catolicismo “Vinde a mim as criancinhas”, Mateus 18:1-6 sem trocadilho desta vez). Este é a sensação que um ocultista tem a cada descoberta de uma nova galáxia ou maravilha do universo, ou novas invenções da ciência e a descoberta de novos horizontes. No hinduísmo, esta sensação tem o nome de Sattva (em oposição a Rajas/atividade ou Tamas/ignorância).

Your head is humming and it won’t go,
In case you don’t know,
The Piper’s calling you to join him.

Nesta altura da música, já fica claro que quem a escuta está sendo guiado pela Lady através da Árvore da Vida em direção à Iluminação. O aspirante a Iniciado está sendo conduzido pelo caminho pelo soar da música. Ou, em um caso mais concreto, o mesmo tipo de música que o Blog toca para vocês…

Dear Lady can you hear the wind blow, and did you know,
Your stairway lies on the whispering wind.

Esta frase tem duas analogias com símbolos muito parecidos, de duas culturas. O primeiro é a própria Yggdrasil, em cujas raízes fica um dragão (a Kundalini) e em cujo topo fica uma águia que bate suas asas resultando em uma suave brisa. A Águia representa o espírito iluminado (daí dela ser o símbolo escolhido pelos maçons americanos como símbolo dos EUA) e o vento é o elemento AR (Razão). Na Kabbalah, em um significado mais profundo, tanto os caminhos de Aleph (Louco/Ar) quanto de Beth (Mago/Mercúrio) que conduzem a Kether (Deus) são representados pelo elemento AR – O Led Zeppelin fala sobre águias em outras canções, igualmente cheias de simbolismo…

And as we wind on down the road,
Our shadows taller than our soul,

As Sombras, no ocultismo e especialmente nos textos do Crowley, são os defeitos ou aspectos negativos de nossa personalidade que mancham a pureza de nossa alma.

There walks a lady we all know,
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold,

O terceiro Caminho até Kether é Gimmel, a sacerdotisa, o caminho iniciado em Yesod (Lua) que passa novamente pelos Grandes Mistérios. A analogia com o Ouro é óbvia. O processo alquímico na qual transformamos simbolicamente o chumbo do nosso ego no ouro da essência.

When all are one and one is all,
Unity.
To be a rock and not to roll.

Quando finalmente ultrapassamos o Abismo, chegamos a Binah, que representa a Ordem (“rock” em oposição ao Caos, que é o “roll”, em um genial jogo de palavras). Na Umbanda, o orixá representado ali é Xangô, senhor das “pedreiras” e da certeza das leis imutáveis do Universo. Representa a mente focada no caminho, sem deixar-se levar por qualquer evento ou adversidade.

And she’s buying a Stairway to Heaven.

Novamente, a mensagem de esperança… a Dama do Lago está sempre ali, criando oportunidades para todos os buscadores no Caminho da Libertação.

post: http://www.deldebbio.com.br/index.php/2010/10/07/stairway-to-heaven/

Video

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Galeria – Ferry Tales (vários)

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Previsão de Ondas e Ventos

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Anarquia do Poder em “Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma”

Bohemians

“O Poder é Ritualista e Codificador” (Pier Paolo Pasolini)

A verdadeira anarquia é a do poder. Para Pasolini existe o poder em si, que deseja algo totalmente arbitrário, ditado exclusivamente por necessidades económicas que escapam à lógica ou à razão. Ou seja, há uma vontade de poder (como refere Nietzsche) em cada um dos seres humanos, e esta qualidade é íntrinseca e instintiva; logo anárquica. Pois o instinto não admite ordem, nem autoridade ou leis sem ser a suas próprias.

 

Assim podemos falar aquilo que Pier Paolo Pasolini declarava como estando omnipresente no filme, isto é a inexistência da História. Em Salò, os fascistas matam a divisão do pensamento ocidental – racionalismo e empirismo por um lado, e marxismo do outro – substituindo por novos valores alienantes e falsos: aqueles do deleite hedonista e da morte da consciência, resumindo da sociedade de consumo: o que irá conduzir ao que Marx considera como “um genocídio das culturas vivas, reais e precedentes.” Por isso os círculos verticais dantescos existentes no filme justificam-se, finalizando-se no Círculo do Sangue, ou seja, no genocídio massificado da cultura humana.
Em Pasolini, o conformismo a tudo o que se disse é um índicio de morte e da anulação de personalidade, provocada pela sociedade – “que destrói a nossa natureza narcísica e rebelde” – metáfora utilizada em Salò na impotência, imponderabilidade e no conformismo dos jovens, que sendo brutalmente castigados, poucos reagem e muitos aceitam (inclusive a morte) os devaneios da elite. Acordando alguns do seu estado de anestesia para pontualmente serem obedientes e denunciarem os companheiros que não cumpriam as regras dadas pelos fascistas.
Salò o le 120 Giornate di Sodoma é um grito de desespero numa sociedade onde o homem não pode ser livre e não pode ter esperança quanto ao futuro enquanto não se rebelar e lutar por aquilo que lhe pertence face à negra e anónima elite hierárquica de presidentes e duques que passeiam e se divertem, desejando aprisionar no palácio cerrado a que chamamos de Mundo, o jovem povo que todos somos.

“Salò”, também aborda a reificação do ser humano em nossa sociedade. Todos se tornam coisas, objetos, números. Quem detém o poder, assim, nada mais faz do que estruturar e organizar as melhores maneiras de dispôr do próximo. Ou, nas palavras de Pasolini:

No poder (…) existe alguma coisa de animalesco. Em seus códigos e seus prazos, de fato, outra coisa não se faz que sancionar e atualizar a mais primordial e cega violência dos fortes contra os fracos: isto é, digamos ainda uma vez, dos desfrutadores contra os desfrutados. A anarquia dos desfrutados é desesperada, idílica, e sobretudo dobrada no vento, eternamente não realizada. Enquanto a anarquia do poder se concretiza com a máxima facilidade em artigos de códigos e nos prazos. Os poderosos (…) não fazem nada além de escrever Regulamentos e regularmente aplicá-los.

 

 

 

 

 

 

 

A anarquia organizada dos poderosos, evidentemente, acaba por contaminar a anarquia desorganizada das vítimas. A banalidade do mal, para usar a expressão cunhada por Hannah Arendt, torna-se a regra. Algo como uma metástase tem lugar. Não por acaso, em “Saló”, alguns dos escravos passam a dedurar aqueles que não seguem as regras. Esse tipo de colaboracionismo não é sintoma de uma qualquer Síndrome de Estocolmo. Afinal de contas, há lugares onde a corrupção está tão intrinsecamente ligada ao estado de coisas vigente que, a partir de um determinado momento, ela se torna o próprio estado de coisas, a sua lógica, o seu propósito.

O fascismo, é claro, foi se transformando com o passar do tempo. Hoje, está presente nos fundamentalismos, religiosos ou não, na demagogia, nas pseudodemocracias latino-americanas, no discurso “anti-imperialista” e nas ações repressoras, na ditadura da “felicidade” apregoada pelos livros de auto-ajuda, no jornalismo “de utilidade pública” dos programas policiais etc. Está, portanto, em toda parte. Como diria Eichmann, algo assim “normal, humano”, na medida em que todos, de um jeito ou de outro, literal ou figurativamente, praticamos a coprofagia cotidianamente.

Alguém disse sobre Salò : “Este filme é obrigatório, para todos aqueles que desejam alcançar o estatuto de cidadão.”

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dos textos de MIGUEL PATRÍCIO: http://retroprojeccao.blogspot.com/2006/12/sal-o-le-120-giornate-di-sodoma.html

e de André de Leoneshttp://rechavia.wordpress.com/2009/09/19/salo/

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Haters Gonna Hate – Animal

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Galeria – CWB Über Alles

L.E.Geara

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Neuroplasticidade Cerebral

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L’Enfer d’Henri Georges Clouzot

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Eu morro, e isso também me dói.

…toda Idéia é irreal

toda paixão é irreal

para este povo separado há séculos

cuja leve sabedoria lhe basta para viver

e nunca o libertou.

Expor meu rosto

minha magreza…

Erguer só, a minha pueril voz

já não faz sentido

A covardia nos faz acostumar

a ver as atrocidades com a mais estranha indiferença.

Eu morro, e isso também me dói.

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Baudelaire

Poema Heautontimorumenos

Sem cólera te espancarei,
Como o açougueiro abate a rês,
Como Moisés à rocha fez!
De tuas pálpebras farei, Para o meu Saara inundar,
Correr as águas do tormento.
O meu desejo ébrio de alento
Sobre o teu pranto irá flutuar Como um navio no mar alto,
E em meu saciado coração
Os teus soluços ressoarão
Como um tambor que toca o assalto!

Não sou acaso um falso acorde
Nessa divina sinfonia,
Graças à voraz Ironia
Que me sacode e que me morde?

Em minha voz ela é quem grita!
E anda em meu sangue envenenado!
Eu sou o espelho amaldiçoado
Onde a megera se olha aflita.

Eu sou a faca e o talho atroz!
Eu sou o rosto e a bofetada!
Eu sou a roda e a mão crispada,
Eu sou a vítima e o algoz!

Sou um vampiro a me esvair
– Um desses tais abandonados
Ao risco eterno condenados,
E que não podem mais sorrir!

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Bakunin e a Ditadura Invisível (carta para Albert Richard)

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existe apenas um poder e uma ditadura que enquanto organização é salutar e plausível: é aquela que é uma ditadura coletiva e invisível, daqueles que estão aliados em nome de nosso princípio.

Bela Borsodi

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essa ditadura será ainda mais salutar e efetiva se não estiver investida de qualquer poder oficial ou de caráter extrínseco.”

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