ignoratio elenchi

Expressão latina também conhecida como a falácia da conclusão irrelevante. Trata-se de um argumento em que se prova uma coisa diferente do que está em causa. Veja-se o argumento: “É através dos impostos que o governo arranja dinheiro para ajudar os cidadãos mais carentes; mas, dado que ainda há muitas pessoas com carências, o governo deve aumentar os impostos”. Este argumento não prova o que pretende, ou seja, que as carências dos cidadãos se resolvam com a subida de impostos. Pode ser até que o aumento de impostos coloque em situação de carência algumas pessoas que não estavam nessa situação. AA

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Sk8 bit – Video

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Silent Star Wars

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Galeria: “O Anoitecer no Éden” por Marcel Fernandes

A distopia apresentada por Marcel Fernandes, convida a uma digressão por emoções de matizes saturados, por florestas urbanas  povoadas por aves que testemunham e adornam o paroxismo de um ideal social perdido, e por indivíduos cujos dramas pessoais são amplificados por máscaras que explicitam mais do escondem.

Paralelos entre Bosh e Basquiat,  Guernica e o Grito, o  expressionismo e o grafite, o dia e a noite, revelam o paraíso que adormece, que se decompõe, que se expõe e se ignora e que também tentamos ignorar, mas a arte de Marcel não nos permitire.

Jardim do Éden

O Anoitecer do Éden – Casa Brasílio Itiberê – Paranaguá – PR [Curadoria de João Henrique do Amaral – Texto e Fotos: L.E. Geara] até 30 de novembro de 2010.

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Galeria

Leonardo Cossio: Instrutor de Kite Surf – Matinhos PR

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O 4o. Mundo

Os três pilares teóricos e práticos do Manifesto Quarto Mundista

I – A teoria econômica da Cauda Longa. O termo Cauda Longa foi criado em 2004 por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, e se popularizou através de um livro que ele escreveu intitulado The Long Tail. Em seu livro, Anderson analisa as alterações no mercado econômico, sobretudo na indústria cultural, em que ocorre um fenômeno de migração da cultura de massa para a cultura de nichos devido a convergência digital e da Internet, o que implica em um novo padrão de comportamento por parte dos consumidores.

O primeiro ramo da indústria cultural a sentir o impacto da Cauda Longa foi o da música, mas ela já está afetando em maior ou menor grau outros segmentos, como os quadrinhos. Dentro do escopo dessa nova economia, fenômenos de venda como os X-Men do Jim Lee ou a Chiclete com Banana (para citarmos um exemplo nacional) dificilmente voltarão a acontecer. Cada vez mais deixaremos de ter esses grandes “hits” de vendas assim como teremos uma queda nas tiragens, ao mesmo tempo em que haverá um crescimento no número de títulos. Dentro da Cauda Longa, o custo de manutenção de um produto muito procurado é igual ao custo de manutenção de um produto procurado apenas por um número mínimo de consumidores, então nichos que antes eram ignorados pelas editoras passam agora a ter grande valor econômico.

Então o que mais interessa para o Quarto Mundo na Cauda Longa é que em um mercado de nicho, como é o caso dos quadrinhos independentes, o que importa não é a quantidade, mas a variedade. Ou seja, mais vale termos 100 revistas com tiragem de mil exemplares do que uma única revista com tiragem de 100 mil. O lucro que você obtém vendendo um exemplar de cada uma dessas 100 revistas é o mesmo que você teria vendendo 100 exemplares de uma única revista, mas as chances de você vender um exemplar de cada uma são maiores do que você vender 100 de uma, principalmente porque você pode vender diferentes revistas para uma única pessoa, mas não pode vender a mesma revista várias vezes para essa mesma pessoa (a não ser que ela tenha um sério problema de memória). Sem contar que com uma ampla variedade de títulos, as chances de o leitor se interessar por pelo menos um deles são bem maiores. Enfim, como as tiragens de nossas revistas são pequenas não há como ganharmos na economia de escala, mas através do coletivo e aplicando o modelo da Cauda Longa podemos potencializar os nossos ganhos com a economia de escopo.

The Dark Kight – Brandon Schaefer
Transformers
Dr. Caligari – Krauss

II – Lei de Sturgeon, Theodore Sturgeon foi um autor de ficção científica que em resposta a um crítico literário que falou que a maioria das coisas que eram produzidas de sci-fi eram medíocres, disse que ele estava certo, 90% da produção em sci-fi é de fato medíocre, mas isso porque 90% do que é produzido em toda literatura também é.

Essa lei dos 90% de produção medíocre para os 10% de produção genial, apesar de se tratar de um pensamento hiperbólico, pode ser aplicada a qualquer mercado cultural. Em geral, o que chega ao Brasil é apenas a nata da produção mundial, então não percebemos a quantidade de títulos medíocres que todo e qualquer mercado possuí, seja o norte-americano, o europeu, o japonês, etc. E não seria diferente com um possível mercado brasileiro.

O problema é que o leitor brasileiro também só percebe a nata da produção mundial, e quando olha para as tentativas de produções brasileiras querem que essas produções já tenham logo de cara a genialidade que encontram nessas produções mundiais. Mas essas produções só chegaram a essa genialidade porque foram forçadas a superar os 90% de seu próprio mercado. É quase que um darwinismo aplicado.

Sendo assim, para termos uma boa quantidade de títulos brasileiros nos 10%, será preciso antes que tenhamos uma quantidade maior ainda de títulos nos 90%.  Por isto quanto mais gente publicando tivermos, mais acirrada será a “competição” entre eles, forçando o nível de qualidade de todo mundo a aumentar se quiser não ser deixado pra trás. Não devemos ser ingênuos, muitos não conseguirão sobreviver (o que não impede seus editores de tentarem de novo, com outras propostas e abordagem), mas as que sobreviverem, terão um nível de qualidade tão alto, que serão capazes de disputar frente a frente com os títulos gringos, quiçá, no próprio mercado deles.

III – O último pilar do Quarto Mundo refere-se a própria organização do coletivo com base em um modelo em que não existem hierarquias e nem mesmo um comando central, estimulando deste modo uma colaboração livre e aberta entre seus integrantes. Esse modelo de organização baseado na colaboração mútua é chamada na nova economia de peer production, ou simplesmente peering. As primeiras aplicações de peering se deram no campo da tecnologia, em especial, na de softwares de código-aberto, como é o caso do sistema operacional Linux, mas hoje em dia esse tipo de organização já se espalhou para outros setores da economia. E a tendência é que cada vez mais se abandone as organizações hierárquicas e se passe a adotar uma organização horizontal.

Então dentro desse modelo de organização, cada quadrinistas no Quarto Mundo é como se fosse uma célula de um organismo maior, que é o próprio coletivo. Como uma célula, cada um sabe a sua função para manter esse organismo vivo. Algumas células podem ter maiores atribuições do que outras, mas não há relação de superioridade ou inferioridade entre elas.

Cadu Simões      http://www.4mundo.com

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Janela Albertiana

Nome dado ao recorte de uma imagem,a porta que simula o espaço tridimensional. A forma retangular que é a sua naturalização máxima: percebe-se a imagem como um fato em si, desconsiderando tratar-se de um recorte. No caso da fotografia, vê-se a imagem como um pedaço da realidade (a mesma fotografia, apresentada dentro de um recorte oval, por exemplo, implicaria, de imediato, sua artificialidade). De Joseph Albert, fotógrafo alemão ( 1825 – 1886).

– O desenhista Invisível – Julieta Cabral (ed. Folha Seca – 2007) –

Pony Swim - arte de Marissa Textor

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Jim Morrison – Todos os Poemas

All the poems…

ACT I
All the poems have wolves in them,
all but one … the most beautiful one of all.
She dances in a ring of fire
and throws off the challenge with a shrug.
“Who did you right that one for?”
“I wrote it for you.”

ACT II
All the poems have wolves in them,
all but one … the most beautiful one of all.
I hope you go out smiling
like a child into the cool remnant of a dream,
the angel man finally claimed his benevolent soul.
Ophelia, leaves sudden and silk
chlorine dream … mad stifled witness.
“This is the strangest life I have ever known.”

 
                       Jim Morrison

 

(versão do filme The Doors)

I –  Todos os poemas contém lobos

Todos menos um

O mais belo deles.

Ela dança em um círculo de fogo

e desdenha do perigo com desprezo.

II – Todos o poemas contém lobos,

Todos menos um,

O mais belo de todos.

Espero que saia sorrindo

como uma criança no que restou do sonho.

O homem anjo finalmente pleiteou

sua alma benevolente.

Ofélia!

Deixe o inesperado na seda.

A glória, no sonho.

Louca, sufocada testemunha.

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Inauthentic Life

Astronauts

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Venus em Peles – Leopold Von Sacher Masoch

Quem não tem beleza em si, não vê beleza em nada.

Foto: Hans Bellmer - La Poupée

Peça de Edson Bueno com Edson Bueno e Pagu Leal

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Redação de Aluna da UFPE

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.


Redação:

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Foto: Corrie White

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Karl Schmidt Rottluff

Arte: Schmidt Rottluff - House Under the Trees (1910)

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Ouça com os olhos, veja com as orelhas!

Volver – A Sorte

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